Sunday, March 23, 2008

A dor não é tão glamourosa assim...

Quem não quer um doce?
Ela queria muitos. Seu vestido preto, rosto lívido, viúva típica.
Talvez estivesse acontecendo algo estranho, suas lágrimas quentes eram ácidas ao rolar pela face e cair no peito. E que dor lhe trazia a solidão. Mas há alguma dor maior que a solidão?
Estar cercado de sorrisos e abraços de´pesar, e sentir-se só, sem alguém que possa enxugar suas lágrimas e dizer que amanhã estará tudo bem.
Mas quando se está só de verdade é que se percebe o quanto doi...O quanto é ruim ouvir o trem chegar...
Cerotonina não resolve, ela acabara de confirmar. Aqueles chocolates agora estavam no chão junto a seu corpo mínimo ante aquela presença em todo o apartamento. Presença do medo.
Medo que não vai embora com as luzes acesas, medo que não foi embora com ele.
Levantar era quase tão doloroso quanto estar ali.
Arrastar as mãos pela parede, deixar parte de você ali; é como um verme a devorar-te [doloroso]
E então a janela, o trem que pega os últimos passageiros da noite e se vai, deixando a nevoa nos trilhos, um fantasma que se esvai.
Seus olhos fora de foco vem sua imagem a janela, um fantasma que volta a te assombrar, e então saber que apesar de morto, o veria nas ruas da cidade, talvez mais feliz com outro amor, ou talvez vivo, como ela não reparara ele não estar.
Talvez a dor fosse glamourosa mesmo, e quem sabe um dia ela descobrisse o porque.

07.03.08

Último resquício de sentimento por ti.