Monday, August 21, 2006

Por onde anda este dito amor?



As lágrimas já escorriam por seu rosto sem dar chance para mais nada.
Dirigia o carro em alta velocidade pela estrada escura. Tinha esperança de algum caminhão bater nela sem que precisasse se atirar no despenhadeiro que logo apareceria, depois, na curva da morte.
A caixa com diversos comprimidos no banco do passageiro demonstrava um de seus planos de acabar com tudo.
A noite tão escura apenas ampliava sua morbidez.
Foi então que viu a sombra que fez seu coração parar de bater e sua mente se desconectar. Freiou o carro antes de atropelar aquele fantasma que voltava para leh assombrar em um momento tão crítico.
- Meu D- Deus...Nã...Não...Pode..S-Ser...

***

Seus dezesseis anos foram contemplados com a edição de seu primeiro livro.
Nem fama, nem muito dinheiro, nada que absorviam os sonhos de tantos outros escritores miríns.
As únicas coisas verdadeiras que lhe trouxeram foram a cura ante a depressão e o namorado.
Ah! 32 anos, escritor, amante de Campbell e de Harry Potter, sem contar em mitologia vampírismo e tudo o mais relacionado a magia.
Juras de amor eterno, de cudiar dele quando ele estivesse na cadeira de rodas, de amarem os filhos, aqueles mesmos, seriam dois! Dois lindos ragazzos!
Mas como tudo na vida passa, esse sonho também se dissolveu de uma maneira nada atraente.
Era uma de suas melhores amigas, que alias eram apenas duas, e foi assim que ela pegou. Chegando na casa da amiga a qual já até tinha a chave, e eles conversando juntos, ela sem blusa, ele com o olhar derretido que outrora era só seu.
- Não acha que deviamos contar à ela?
- Os problemas psicológicos dela se afetariam, ela cairia novamente em depressão e...
- Não se preocupem, não precisam me contar. - Ela bateu a porta com violência. Ainda estudava com a "amiga", não inha como fugir, embora tenha faltado na semana seguinte, dormindo até as três, se enchendo de sorvete e chocolate, enquanto tentava chorar.
Depois decidiu que era melhor deixa-los em paz. Se era isto que queriam, era porque para ela havia algo muito melhor.
Dois anos depois ocorreu a mesma coisa.
Ele não era escritor e nem tão inteligente, mas a amava era carinhoso e atencioso. Morava no nordeste, na pontinha do Brasil junto com a sua outra melhor amiga.
E foi em uma segunda viajem para lá que descobriu a segunda traição qualificada de sua vida.
Sem entrar na net, sem atender telefones. Pais preocupados, e a caracteristíca frase "Estou bem, só...Decepsionada" não saia de seus lábios, embora soubesse que nada ia bem.
Sem que a mãe desconfiasse começou a comprar tranquilizantes para evitar que seus sentimentos de infancia ao ver a irmã mais velha cercada de amor e ela pelos cantos chorando,ou ao sentir a recusa dos dois homens que julgava ser de sua vida...
Tudo bem, tudo se supera, se não a cada amanhecer, a cada dose de anti-depressivo e seção no terapeuta.
Mais três livros públicados, mais três anos passados. E engreçara em um novo amor, afinal, uma tsunami cair três vezes no mesmo lugar, era muito.
Mas no fim a pergunta era a mesma.
Que diabos tinha essa menina que seus amores vão para seus mais amados?
Desta vez fora a irmã.
Três anos, quatro livros, doses galopantes de anti-depressivos e uma tentativa bloqueada de suícidio quando seu outro namorado e psicólogo morreu, irônicamente ao estar indo para sua casa, com flores e um anel de noivado.
"Sou desgraçada...Sou desgraçada..."
Sua fama crescia um pouco mais, os ivros vendiam como água. Seu único sonho realizado.
Cinco anos depois e não tinha arranjado um único amor, namorado, nem ao menos paquera...Mas cometeu o erro de errar novamente. De acreditar que seu coração já em frangalhos pudesse se unir a uma alma destruída e engressar em novo romance.
Desta vez fora a irmã.
Apoiara como a todos os outros, e na festa de casamento lá estava ela, entorpecida, como madrinha. Sua primeira amiga grávida do segundo filho. A segunda com o primeiro no colo e a prima muito feliz com seu amor. e agora o buquê que cairá das mãos de sua irmã para alguem da festa. Ela não queria aquele buquê, alias, a única coisa que almejava era a morte certa.

Ainda na festa, seu tio bêbado e chato começou a falar de seus problemas, de como todos a odiavam, de como sua mãe chorara por uma semana ou mais ao saber que a teria e de como nem se quer seu nome fora escolhido pelos pais, e sim pela irmã em um gesto de piedade. Informações tão veridicas que lhe fizeram há muitos anos atrás adotar seu pseudônimo como apelido que pedia que todos a chamassem.
Não aguentava mais aquele bêbado falando e o olhar de todos recaído sobre ela, a corna conformada, a megera, a que não merecia amor. Suas amigas aflitas assim como a prima. A irmã, por sorte já saira para a lua de mel.
Ela nem esperou que alguem fizesse algo. Se agarrou mais firme na bolsa e foi até o carro, ligando exasperada o motor e saindo, zunindo da festa. Iria para a praia.
Pensava em tudo que lhe ocorrerá ao longo da vida, o sucesso profissional e a decadencia sentimental.

As lágrimas já escorriam por seu rosto sem dar chance para mais nada.
Dirigia o carro em alta velocidade pela estrada escura. Tinha esperança de algum caminhão bater nela sem que precisasse se atirar no despenhadeiro que logo apareceria, depois, na curva da morte.
A caixa com diversos comprimidos no banco do passageiro demonstrava um de seus planos de acabar com tudo.
A noite tão escura apenas ampliava sua morbidez.
Foi então que viu a sombra que fez seu coração parar de bater e sua mente se desconectar. Freiou o carro antes de atropelar aquele fantasma que voltava para leh assombrar em um momento tão crítico.
- Meu D- Deus...Nã...Não...Pode..S-Ser...

Era igual a ele. Seu vulto, sua sombra...Igual ao homem que por alguns anos ela acreditara existir em algum lugar do mundo...Onde? Não sabia...Mas era ele seu vampiro.
Seu vulto se aproximou da janela. E ela ansiosa...
Era só o guarda.
Disparou antes de falar com ele, sem dar atenção ao volante, pegou todos os comprimidos e enfiou de uma vez na boca. Se era uma vida desgraçada que tinha, seria uma morte igualmente desprovida de amor e felicidade que teria.
Sentiu seu corpo todo pesar, não queria que levassem seu corpo ao hospital ou que lhe dessem um enterro. Ela era menos que isto. Pessoas amadas tinham um enterro para que pudessem se despedir...Mas quem se despediria de uma sombra mórbida que vivia a cruzar as vidas, unindo casais e famílias sem contudo nucna poder esboçar um sorriso sincero ou uma lágrima de felicidade.
Ouviu a sirêne dos políciais, seu carro ia a mais de 120 Km/h.
Virou bruscamente o volante fazendo o carro saltar da pista, e voar pelo desfiladeiro, entrando em choque pelas várias pedras do caminho e fazendo os cacos de vidro perfurarem seu corpo...Mas nada tinha mais sentido...A dor era saudável...Era dor de morte. Era a dor que presidia a explosão.

***

As notícias foram dadas no jornal.

"...Escritora famosa se suicida..."
" ...Vida de desgraça..."
" ...Amigas falsas levam ao suícido de..."
Para o enterro? Nem mesmo carvão.
Na missa? Hipócritas que não se lembravam que ela era Pagã.
Em sua alma? Uma dor profunda onde ecoava "amor...amor..."
- Mary S. Lil
21.08.06

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