Sua mente captava sinais de algo, captava-me cada vez mais próximo, e assim estava quando quinta-feira finalmente chegou.
Os fatos sucediam-se de maneira tal que a impaciência tomava conta de meu ser. Esperava por isto há muito tempo para ter de esperar mais.
Sexta pelo fim da tarde, acompanhei sua viajem para o litoral. Não poderia mentir dizendo que não preferia assim, pois preferia. O local seria ideal. Haveria centenas de pessoas que não pertenciam aquele lugar, de modo que seria impossível acharem o culpado pelo que certamente julgariam ser um crime.
A noite chegou, e com ela a escuridão que encobria todos os meus passos. Era como há anos atrás em Whitechapel, apenas as ruas movidas a orgias e dinheiro, mas sempre havia como encontrar um local deserto para praticar o amor pelo sangue e pelo ódio.
Consegui fazer com que ela se afastasse de seus genitores e das cachorras, chamando-a até mim, e ela, inconscientemente veio, perdendo-se das vistas deles na multidão.
Ela veio até onde estava, na orla da praia, amparado pelas sombras evitando que me visse antes da hora. Olhei todo seu corpo por minutos a fio enquanto ela caminhava e eu a seguia como um mero vulto na escuridão.
Segui-a por um bom tempo enquanto via seus pensamentos com exatidão. Oh Marie, tão diferente das outras que matei!
Já estava próximo de pagá-la agora, já sabia como e o que fazer, meu movimento em sua direção foi um, mas foi cortado pela luz que iluminou a areia e pelas vozes que se seguiram.
Ela me viu por frações de segundos antes que pudesse desaparecer sem deixar rastros.
A ira apossou-se de mim, mas não obstante, horas depois estava vendo-a novamente.
Desta vez ela estava deitada como em seu outro quarto. Não estava coberta e sim esparramada pela cama. Adentrei o quarto novamente e fitei-a. Mas agora a ânsia e raiva eram grandes de mais para que pudesse conte-la.
Coloquei a palma de minha mão em sua testa e a outra lancei em direção a porta, deixando-a impenetrável, e que nenhum som fosse ouvido. Ela abriu os olhos e peguei em seus cabelos puxando-os fazendo com me olhasse.
Com a outra mão, deslizei e redescobri seu corpo, retirando as poucas e finas peças que usava. Parei de puxar seus cabelos. Ela me olhou imóvel como deveria ficar. Caminhei até suas pernas e com um movimento rápido, abri-as, colocando-me entre elas.
Passei de leve dois dedos por suas coxas quentes antes de colocar meu peso pro cima do seu e com a outra mão tocar sua face, descendo pelo pescoço, colo e seios, onde realmente encontrou seu lugar, abrindo a palma e contendo-o ali, massageando-o devagar.
Mas meus olhos não saiam de seus olhos. Nos olhos de Marie.
Abaixei minha cabeça ainda olhando sua face, até chegar em seu umbigo onde passei minha língua de leve, descendo-a para seu ventre e chegando até sua intimidade.
Passei uma vez de leve, apenas para testa-la. Senti seu calafrio e sorri, pegando um de meus dedos e penetrando-a vagarosamente enquanto mordia de leve um de seus lábios e a outra mão apertava sua nádega.
Começava a sentir seu desejo enquanto apertava seu corpo todo, ela não falava nada, era tudo um sonho do qual ela não despertaria.
Nunca ninguém despertava.
Suguei de seu ventre voltando a subir minha face, passando-a para seus seios, dos quais suguei e voltando-se para sua boca que beijei com volúpia.
A única mulher que avia beijado em vida, e agora também em morte.
Segurei seus braços com minhas mãos e retirei a faca de um dos bolsos. A luva negra em minha mão apertava o cabo enquanto a lamina reluzia com a pouca luz existente no ambiente.
Podia sentir o cheiro que estava no ar naquele minuto.
Sentir a atmosfera e tudo prendendo a respiração para o momento.
Toquei sua face com a lâmina e deslizei-a provocando um pequeno corte. Olhava-a com a faca firme em meu punho. Minha mente já mandava o impulso para poder enfiar o metal em sua jugular quando parei acima dela, apenas fitando a expressão serena com a qual me olhava, como uma marionete, da qual, ao acordar, julgaria ter se tratado de um insano sonho.
Subi a faca e cortei um cacho de seu cabelo sem conseguir me conter.
Beijei-lhe a boca no que ela correspondeu obedientemente como elas costumavam fazer.
Apertei seus pulsos com maior intensidade apesar de saber que ela não se moveria. Começava a ficar irritado com aquela situação.
Aproximei meus lábios de seus seios, mas mordi-os com certa gana.
Levantei-me feito tufão antes de sair do quarto, deixando-a da forma como ficara.
Passei a noite na avenida principal. Não foi difícil achar o que queria, e desta, arranquei os pulmões, deixando seu corpo em uma praça no interior da cidade.
Postei-me no alto de uma elevação, ainda de vista para o mar, e fitei o oceano e suas ondulações suaves pro vários momentos.
Ao amanhecer, decidi que não ficaria assim.
Passei o dia como um estranho no meio dos que buscavam a diversão.
Minhas roupas escuras e compridas, o chapéu e as luvas. Alguns boatos já se ouvia sobre a morta, mas nada com o que devesse me preocupar, como nunca me preocupara.
Esperei a noite cair, como sempre, ela, minha companheira, ocultava-me de todos aqueles que pudessem reconhecer a minha imagem.
Ela estava pela rua. Sozinha.
Todo caos, todo barulho e movimento de todo e qualquer espaço-planeta aqui - agora se dissolveu naquele momento onde nossos olhos se cruzaram, um de cada lado da rua.
Seu pavor foi perceptível ao ver-me. Não, não for um sonho.
Ela andou em um ritmo mais apressado, afastando-se do centro das agitações, mas não lhe dei tempo para que chegasse até seu apartamento.
Empurrei-a para o muro e colei nossos corpos, segurando suas mãos acima de sua cabeça com uma das minhas e retirando a faca de meu bolso novamente.
- Desta vez, sem erros. – Sussurrei ao seu ouvido, passando a lâmina por seu corpo, sentindo suas respiração acelerar e seus seios começarem a ir de cima para baixo em um movimento continuo e assustado da mesma forma como batia seu coração.
***
Quarta feira de cinzas.
O primeiro dia da Quaresma no calendário cristão ocidental. As cinzas que os cristãos católicos Apostólico Romano recebem neste dia é um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.
Sujeita à morte.
Sim, não havia melhor dia para se ter tal visão.
Continuei caminhando pela orla da praia, apertando a mão no bolso com um olhar casual. Relanceei meu olhar para trás e voltei minha atenção para frente com um leve sorriso. Meu passo calmo era seguido pela água que alcançava a areia sem força, mas ainda sim com sua habitual beleza.
Se ela estava morta?
Não, nunca estaria morta, não minha Marie...Estava apenas esperando, como massa de pão, esperando até o momento certo para ai sim, poder sair de seu casulo e tê-la. Ao contrário do que imaginava, podia sim ser paciente.
Muito paciente.
Esboços – G&L 12, 14,15. 02.2007
To Know:
Jack o Estripador (Jack the Ripper) foi o pseudônimo dado a um serial killer não-identificado que agiu no miserável bairro de Whitechapel em Londres na segunda metade de 1888. O nome foi tirado de uma carta enviada por alguém que dizia ser o assassino, publicada nos jornais na época dos crimes. Embora diversas teorias tenham surgido desde então, a identidade de Jack o Estripador nunca pôde ser determinada.
As lendas envolvendo seus crimes tornaram-se um emaranhado complexo de verdadeiras pesquisas históricas, dando combustível a teorias conspiratórias e folclores duvidosos. A identidade não confirmada do assassino fez com que vários comentaristas, historiadores e leigos apontassem seus respectivos dedos na direção de vários suspeitos. Os jornais (cuja circulação crescia consideravelmente durante aquela época) deram ampla cobertura ao caso devido à natureza selvagem dos crimes e ao fracasso da polícia de efetuar a captura do criminoso, que tornou-se notório justamente por conseguir escapar impune.
Suas vítimas eram mulheres que ganhavam a vida como prostitutas. Os assassinatos típicos do Estripador eram cometidos em locais públicos e semi-desertos; a garganta da vítima era cortada, e depois o cadáver submetido a mutilações no abdômen ou em outras partes corporais. Muitos acreditam que as vítimas eram primeiro estranguladas, para não provocar barulhos. Devido à natureza dos ferimentos em algumas dessas supostas vítimas, muitas delas com os órgãos internos removidos, especula-se que o assassino tinha algum conhecimento médico ou cirúrgico, ou que até mesmo fosse um açougueiro, embora este ponto, assim como na maioria das suposições sobre o criminoso e os fatos que o circundaram, seja uma questão de disputa.
O número e os nomes das vítimas do Estripador são assunto de um amplo debate, mas a lista mais aceita é a chamada de "as cinco principais". Inclui as seguintes prostitutas (ou supostas prostitutas, no caso de Eddowe) que viviam no East End de Londres:
Mary Ann Nichols (nome de solteira: Mary Ann Walker; apelido: Polly), nascida em 26 de agosto de 1845 e morta em 31 de agosto de 1888, uma sexta-feira.
Annie Chapman (nome de solteira: Eliza Ann Smith; apelido: Dark Annie), nascida em setembro de 1841 e morta em 8 de setembro de 1888, um sábado.
Elizabeth Stride (nome de solteira: Elisabeth Gustafsdotter; apelido: Long Liz), nascida na Suécia em 27 de novembro de 1843 e morta em 30 de setembro de 1888, um domingo.
Catherine Eddowes (usava os nomes “Kate Conway” e “Mary Ann Kelly”, com os sobrenomes tirados de seus dois ex-maridos, Thomas Conway e John Kelly), nascida em 14 de abril de 1842 e morta em 30 de setembro de 1888.
Mary Jane Kelly (passou a usar o nome “Marie Jeanette Kelly” depois de uma viagem a Paris; apelido: Ginger), supostamente nascida na Irlanda em 1863 e morta em 9 de novembro de 1888, uma sexta-feira.
( Wikipédia)
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